Escândalo Educação Justiça coloca sob sigilo investigação contra ex-secretário da gestão Dalben
Processo apura fraudes e propina em contratos da gestão de Luiz ; PF aponta sobrepreço e direcionamento de licitações
- Categoria: SUMARÉ
- Publicação: 26/11/2025 09:17
- Autor: Fonte: Tribuna Liberal Paulo Medina / Edição: Douglas Melo
A Justiça Federal colocou sob sigilo a ação que investiga o ex-secretário de Educação de Sumaré José Aparecido Ribeiro Marin (o Zinho), apontado pela Polícia Federal como articulador de um esquema de fraudes em contratos públicos da pasta. O processo, que tramita no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), teve acesso restrito após a operação realizada no início de novembro.
Marin, que comandou a secretaria durante a gestão do ex-prefeito Luiz Dalben (PSD), é alvo de mandado de prisão preventiva, mas não foi encontrado pela PF no dia 12 de novembro. As investigações indicam que ele teria direcionado licitações e autorizado pagamentos irregulares à empresa Life Tecnologia Educacional, responsável pelo fornecimento de materiais à rede municipal.
Segundo a PF, contratos firmados entre 2020 e 2021 apresentavam sobrepreço de até 35 vezes o valor real. Dois professores da rede municipal são investigados por assinarem documentos que desclassificaram concorrentes da Life — um deles teria recebido R$ 24 mil, e o outro, R$ 14 mil. Uma servidora do Centro de Formação de Educadores aparece como beneficiária de R$ 187 mil a partir de 2021.
Em dezembro de 2024, Mariano — proprietário da empresa Life — enviou R$ 485 mil via PIX para um “laranja” indicado por José Aparecido Ribeiro Marin. Além disso, em outubro do mesmo ano, a Life realizou o pagamento de R$ 549 mil referente a uma parcela de um apartamento de alto padrão, também a pedido de Marin. De acordo com a Polícia Federal, esse conjunto de transações caracteriza pagamento de propina associado aos contratos superfaturados firmados com a Prefeitura de Sumaré.
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Durante o cumprimento dos mandados, agentes apreenderam documentos, computadores e mídias eletrônicas na sede da Prefeitura de Sumaré. A PF esclarece que os fatos investigados dizem respeito exclusivamente à gestão Dalben. A atual administração afirma colaborar integralmente e reforça que nenhum dos contratos sob análise foi celebrado pelo governo vigente. O ex-prefeito declarou ter tomado conhecimento da operação “pela imprensa”. O ex-secretário Marin não foi encontrado até o momento.
Operação também atinge Hortolândia
No mesmo desdobramento, foram presos o vice-prefeito Cafu César (PSB) e o secretário de Educação Fernando Moraes. A empresa Life também mantinha contrato na cidade. A Prefeitura de Hortolândia afirmou ter colaborado e disse ter sido “surpreendida” pela ação.
Visão crítica editorial
O caso expõe uma ferida profunda: desviar recursos da Educação é comprometer diretamente o futuro das crianças de Sumaré. Cada contrato superfaturado significa menos materiais, menos estrutura e mais desigualdade. A população merece respostas rápidas, responsabilização transparente e políticas que garantam que verbas destinadas à escola pública jamais voltem a ser tratadas como moeda de interesse privado.
O Portal da Cidade Sumaré seguirá acompanhando, cobrando e fiscalizando.
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