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Caso Master: relator da CPI do Crime Organizado diz sofrer pressões contra convocação de Toffoli

  • Categoria: POLÍTICA
  • Publicação: 14/02/2026 11:11
  • Autor: Fonte: https://www.brasil247.com/

 O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que vem sofrendo pressões de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e de políticos, tanto dentro quanto fora do Congresso, para impedir que a comissão vote a convocação do ministro Dias Toffoli. Ainda assim, segundo ele, a deliberação está mantida na pauta e a expectativa é que a votação ocorra no dia 24 deste mês. 

Na avaliação do senador, as pressões são previsíveis diante da dimensão dos investigados e dos valores envolvidos nas apurações. “Sempre há pressão quando se lida com investigados deste tamanho. São bilhões de reais e figuras muito poderosas nas três esferas do poder”, afirmou Vieira em entrevista à GloboNews, de acordo com o jornal O Estado de São Paulo. “Isso é completamente previsível. Não foi a primeira vez nem será a última”, ressaltou. 

Críticas ao STF

O parlamentar também criticou a nota assinada por magistrados do STF em defesa de Toffoli. “Os recados que estão sendo enviados para a Polícia Federal são terríveis, são duríssimos. A nota publicada por dez ministros do Supremo é um vexame porque diz que Toffoli não pode continuar como relator, mas, ao mesmo tempo, afirma que ele é imaculado e intocável”, declarou.

Vieira questionou ainda o fato de apenas a Procuradoria-Geral da República (PGR) poder autorizar investigações envolvendo ministros da Corte. “Há um paradoxo no Brasil. É uma decisão quase unilateral da PGR e isso limita muito a nossa democracia”, afirmou.

Votação após o carnaval

De acordo com o relator, a expectativa é que a votação do requerimento de convocação ocorra em 24 de fevereiro, data prevista para a próxima reunião da CPI, após o carnaval. Segundo ele, a decisão de pautar o pedido partiu do presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

Vieira defendeu a importância da deliberação para ampliar o alcance das apurações. “Eu vejo a votação como fundamental para darmos um respaldo e uma amplitude para a investigação. Temos quatro grandes escândalos que se entrelaçam: emendas parlamentares, Carbono Oculto, INSS e, agora, o Banco Master”, disse.

Investigações e conexões financeiras

Ainda nesta sexta-feira, o presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), informou ter solicitado ao ministro André Mendonça, do STF, a devolução à comissão de documentos relacionados às quebras de sigilo bancário, fiscal e telefônico do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Ao comentar o contexto das investigações, Vieira afirmou: “Quando você olha mais de perto, percebe que está tudo entrelaçado em duas pontas: na ponta da lavagem de dinheiro, onde você tem Master, Reag etc., e na ponta da infiltração política e judicial do crime organizado.”

A CPI também pretende investigar transações envolvendo o Tayayá Resort, então ligado à empresa Maridt, com participação de proprietários do Banco Master e dos irmãos de Dias Toffoli.

A empresa dos irmãos do ministro, que agora Toffoli admitiu que é sócio, vendeu sua participação no empreendimento no Paraná a fundos de investimento que tinham como acionista o pastor Fabiano Zettel, descrito como cunhado e operador financeiro de Daniel Vorcaro.