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Cabidão dos Correios: estatal usava terceirizadas para contratar até parentes de diretores

Terceirizada dos Correios diz que sofreu pressões para realizar a contratação de parentes e apadrinhados; além do desrespeito com as regras antinepotismo, disputa envolve uma dívida de R$ 387 milhões
  • Categoria: POLÍTICA
  • Publicação: 23/02/2026 09:58

corredores de Brasília, apesar da legislação antinepotismo, é comum encontrar sobrenomes de políticos em cargos de gabinetes parlamentares e em órgãos da administração pública. Para burlar a regra, a contratação é feita de forma cruzada, quando parentes de uma liderança política são contratados por aliados em outros gabinetes ou órgãos, ou ainda por empresas que prestam serviços ao poder público.

Em geral, esses são “acordos de cavalheiros” entre políticos e empresários, mas, nos Correios, segundo denúncia apresentada ao MPF (Ministério Público Federal), a gestão do advogado Fabiano Silva dos Santos, ligado ao grupo Prerrogativas, que reúne advogados apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), teria consolidado um cabide de empregos por meio de pressão e chantagem contra terceirizados.

O caso envolve uma disputa com a empresa GO2B, que terceirizava cerca de 7 mil trabalhadores e hoje cobra uma dívida superior a R$ 380 milhões da estatal.

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Segundo mensagens obtidas pelo ND Mais, assessores da Presidência dos Correios e dos diretores José Rorício (Administração) e Paulo Penha (Operações) pressionavam a GO2B, responsável por mão de obra terceirizada em centros de triagem de correspondência do país, a contratar — inclusive para funções operacionais — familiares de dirigentes e apadrinhados políticos indicados pela direção da estatal.

O empresário Adriano Hamu, dono da GO2B, disse à reportagem que os Correios foram capturados por um mecanismo sofisticado de “toma lá, dá cá”. Segundo ele, o esquema não ocorreria por desvio financeiro clássico, mas pelo uso da máquina pública para criar um “cabide de empregos” terceirizado, blindado por uma rede de influência que alcançaria ministérios e cortes superiores.

A empresa de Hamu detinha, até 2023, cerca de 70% da operação terceirizada de triagem da estatal e, segundo o empresário, recebeu 68 atestados de capacidade técnica. Ele afirma que, ainda em 2022, a companhia passou a enfrentar atrasos nos repasses dos Correios, mas que, em 2023, os valores em aberto dispararam. Naquele ano, diz, pagamentos passaram a ser travados sem justificativa, o que embasou a ação de cobrança na qual a GO2B pede cerca de R$ 387 milhões em notas fiscais não pagas.

A coerção do RH paralelo dos Correios

A retenção de pagamentos não teria ocorrido apenas por crise no fluxo de caixa da estatal, mas, segundo a denúncia, por uma estratégia deliberada de asfixia financeira da terceirizada, que não teria atendido a algumas solicitações de contratação de indicados da direção dos Correios.

Para Adriano Hamu, CEO da GO2B e autor de denúncias que estão em apuração pela PF (Polícia Federal), a mudança de tratamento ocorreu como uma virada de chave, abrupta e coordenada, a partir da posse de Fabiano na presidência dos Correios.

“Eu considero que caí numa armadilha e nas mãos do que eu diria ser quase uma quadrilha. Os Correios não só buscaram uma forma de destruir a minha empresa, mas destruir a mim. Eu não fazia parte do sistema. Eu não era do esquema. Eu fui tratado com justiça e retidão até 2022. A partir de 2023, eu fui cair numa emboscada”, aponta o empresário.

A “emboscada” descrita pelo empresário envolveria canetadas com multas por supostos descumprimentos contratuais — que ele diz não terem existido —, travas burocráticas e, principalmente, demandas enviadas por WhatsApp para a contratação de indicados na empresa. Pelas mensagens a que a reportagem teve acesso, a alta gestão da estatal, em Brasília, passou a ditar quem deveria ser contratado pela terceirizada em diferentes estados, sempre com a promessa de destravar pagamentos atrasados.

Em uma das mensagens, um assessor da Presidência indica uma pessoa para ser contratada na Bahia, estado onde a GO2B não tinha contrato com os Correios, ao que a empresa tentou contornar dizendo que talvez pudesse alocar o indicado em outro cliente.

Na denúncia ao MPF, Hamu descreve um modus operandi que seus advogados classificam como “coerção indireta”. A estratégia, segundo a defesa, seria reter pagamentos vitais para a operação da contratada, criando um cenário de desespero financeiro. Nesse momento de fragilidade, diretores e assessores da Presidência surgiriam como “solucionadores”, oferecendo ajuda burocrática em troca de favores.

Um desses “solucionadores” para a empresa GO2B seria o gerente regional Paulo Penha, que, no áudio (abaixo) obtido pela reportagem, fala com a gerente da conta dos Correios na GO2B, Sandrinha, e admite a existência de débitos nos pagamentos dos Correios para a prestadora e promete solucionar as pendências.

Outras empresas que prestaram, ou ainda prestam, serviços aos Correios confirmaram, reservadamente à reportagem, pressões por contratações de indicados políticos, associadas à retenção de valores contratados, prática que, segundo os relatos, se instalou na estatal desde a posse de Fabiano Santos.

O nepotismo terceirizado dos Correios

O favor mais requisitado, segundo o empresário, era a contratação de pessoas específicas. Não se trataria de indicações técnicas, mas de acomodação política e familiar.

A imposição de parentes e apadrinhados não ocorreria apenas na alta cúpula: nas regionais, gerentes locais dos contratos enviavam currículos com apadrinhados e indicados por deputados da região para a contratação pelas terceirizadas dos Correios.

O gestor Paulo Penha, além de solucionar os pagamentos da empresa, em julho de 2023, enviou o currículo de uma mulher para Sandrinha – que era a gerente da conta da estatal na GO2B. No pedido por uma vaga de emprego, ele admite, explicitamente, o conflito de interesses que a terceirização poderia contornar. A “candidata”, Ingrid Ferreira, não poderia ser contratada pelos Correios por ser companheira do então gerente.

O ex-diretor de Operações dos Correios, Paulo César da Penha Silva Júnior e a esposa, Ingrid Ferreira. Foto: Instagram @paulo.c.penha / Reprodução ND MaisO ex-diretor de Operações dos Correios, Paulo César da Penha Silva Júnior e a esposa, Ingrid Ferreira. Foto: Instagram @paulo.c.penha / Reprodução ND Mais

Apesar dos “pedidos” de emprego para a companheira, Paulo Penha teve uma carreira ascendente na hierarquia da estatal durante o governo petista, saindo do cargo de gerente regional da empresa para a posição de diretor de Operações.

O empresário Adriano Hamu diz que esses pedidos eram feitos com naturalidade e sempre misturados a discussões sobre o dinheiro que a estatal devia à empresa.

“Era o assessor do presidente dos Correios pedindo para contratar a esposa dele. Eu falei: ‘Ah, vou verificar, vamos ver se tem uma vaguinha ali’, mas, evidentemente, não contratei. Só que essa pressão era constante”, disse o empresário.

Dirigentes dos Correios solicitam contratações através de empresa terceirizada.Foto: Reprodução ND MaisDirigentes dos Correios solicitam contratações através de empresa terceirizada.Foto: Reprodução ND Mais

“O tal do Paulo Penha teve um processo dos Correios contra ele em Pernambuco porque ele estava aliciando funcionário para votar em candidatos, fazendo campanha política interna. E esse mesmo Paulo Penha era o que me pedia em São Paulo para poder ajudar pessoas de um deputado tal, de uma região tal”.

A rede de pedidos, segundo Hamu, não parava em Penha. Vinícius Moreno seria, para ele, uma espécie de gestor de RH paralelo. As mensagens mostram Moreno cobrando “demandas” – eufemismo para uma lista de apadrinhados que precisariam ser alocados.

Moreno é identificado nas mensagens como assessor direto do então presidente Fabiano. Após a troca no comando da estatal, ele teria sido promovido e assumido a Superintendência Estadual dos Correios em São Paulo.

Moreno também é citado por ter atuado como conselheiro do fundo de pensão Postalis (Instituto de Previdência Complementar), com apoio do sindicato da categoria, o Sintect-SP.

Em uma troca de mensagens de outubro de 2023, Moreno cobra o status de uma lista de nomes (Giovani, Ana Lúcia, Cristina, Patrícia e Uilian), agindo como se fizesse parte da empresa contratada, e não como fiscalizador do contrato público.

Dirigentes dos Correios solicitam contratações através de empresa terceirizada. Foto: Reprodução ND MaisDirigentes dos Correios solicitam contratações através de empresa terceirizada. Foto: Reprodução ND Mais

Em outra mensagem, um assessor da Presidência encaminha um nome para ser contratado pela terceirizada na Bahia. A direção da GO2B responde que não tem contrato da estatal no estado, mas diz que poderia absorver o indicado em outras atividades que a empresa desenvolvia lá.

Dirigentes dos Correios solicitam contratações através de empresa terceirizada. Foto: Reprodução ND MaisDirigentes dos Correios solicitam contratações através de empresa terceirizada. Foto: Reprodução ND Mais

As mensagens também trazem pedidos classificados como “nível Brasília”, indicativo de prioridade. Em uma delas, o diretor Paulo Penha pede urgência na contratação do currículo de um colaborador chamado Caio Alves.

Dirigentes dos Correios solicitam contratações através de empresa terceirizada.Foto: Reprodução ND MaisDirigentes dos Correios solicitam contratações através de empresa terceirizada.Foto: Reprodução ND Mais

A armadilha do esquema

Para que o mecanismo de coerção funcionasse, seria necessário manter a empresa contratada em um estado de “esperança” de que as faturas seriam pagas. Documentos indicariam que, enquanto áreas financeira e jurídica da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) operavam para travar pagamentos e aplicar multas, diretores “políticos” mantinham interlocução amigável com a GO2B e prometiam solução próxima.

A denúncia ao MPF descreve a tática como “aproximação simulada”, com dois propósitos: evitar que a empresa paralisasse serviços judicialmente – o que poderia causar caos logístico – e ganhar tempo para preparar a substituição da fornecedora por grupos aliados.

Adriano Hamu relata que figuras como Vinícius Moreno e Paulo Penha agiam como “bombeiros”, dizendo que a inadimplência era apenas um problema burocrático, enquanto, nos bastidores, a decisão política de asfixiar a empresa já estaria tomada.

“Eu tinha duas pessoas dentro dos Correios que se colocaram à frente para poder tratar estes problemas com a gente… E uma delas era assessor direto do presidente Fabiano. E ele prometia, ele falava: ‘A gente vai resolver’. Eu tenho um áudio dele reconhecendo que os Correios estavam em atraso comigo.”

“Por isso que o Vinícius, o Paulo, que eram assessores diretos da Presidência, ficavam ali no nosso ouvido tentando dizer: ‘Nós vamos resolver, nós vamos tratar, nós vamos cuidar’. Dessa forma, o serviço não parava e eu acabei não entrando na Justiça.”

A armadilha teria se fechado quando a empresa, confiando nas promessas, continuou operando e pagando funcionários com recursos próprios, esgotando o capital de giro. Com o caixa no limite, a estatal teria retido definitivamente os valores, alegado abandono de contrato e acionado o seguro-garantia, ficando com o serviço prestado sem pagar e recebendo, ainda, indenização da seguradora, segundo a denúncia.

Para Hamu, o acionamento do seguro pago pela sua empresa é algo gravíssimo, segundo ele “a ECT ficou com o serviço prestado, não pagou, e ainda recebeu indenização da seguradora”

Então ministro da Justiça, Flavio Dino, tinha relação com os indicados para a diretoria dos Correios.Então ministro da Justiça, Flavio Dino, tinha relação com os indicados para a diretoria dos Correios.Foto: Foto: Agência Brasil

A República do Maranhão

A apuração aponta para uma reconfiguração de poder dentro dos Correios que coincide com a troca de governo e a ascensão de grupos políticos ligados ao Maranhão.

O nome central dessa engrenagem, segundo a denúncia, seria o advogado José Rorício Aguiar de Vasconcelos Júnior, que assumiu a Diretoria de Administração da ECT.

Rorício não era um técnico de carreira da área postal. Sua trajetória remete ao Detran do Maranhão, onde foi diretor durante o governo de Flávio Dino (hoje ministro do STF).

O então diretor tinha fortes conexões políticas no estado e seria apadrinhado do senador Weverton Rocha (PDT-MA), ex-aliado de Dino, com quem rompeu quando Dino apoiou Carlos Brandão (PSB) na sucessão do governo maranhense.

Weverton e o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União-MA), compadres e aliados de longa data nunca romperam o vínculo. O senador teria indicado Rorício e avalizado a indicação do próprio ministro ao presidente Lula para a sua nomeação para a pasta das Comunicações.

Com a mudança no comando dos Correios, no final de 2025, Rorício deixou a diretoria. O cargo, porém, ficou vago, sendo exercido interinamente por outro diretor, enquanto a Diretoria de Administração segue cobiçada por ser apontada como estratégica por concentrar todas as licitações da estatal e regular os contratos aplicando sanções.

Weverton Rocha (PDT) foi o articulador das indicações para os Correios.Foto: Senado Federal/Divulgação/NDWeverton Rocha (PDT) foi o articulador das indicações para os Correios.Foto: Senado Federal/Divulgação/ND

“A diretoria administrativa da empresa, que era do senhor Rorício, que veio de escândalos e escândalos no Detran do Maranhão, de rolo com Juscelino, que envolvia Weverton Rocha, que envolvia Flávio Dino, inclusive. E é um cara que assume os Correios e acaba mandando em tudo”, diz o empresário que completa. “O Rorício, eu entendo hoje, foi uma indicação direta do ministro, ele é parceiro do Juscelino Filho… O Rorício e o Osório, que é o superintendente que responde a ele, são os grandes responsáveis em executar o plano para a minha saída.”

Sob a gestão de Rorício, a GO2B teria enfrentado, segundo Hamu, uma sequência de processos administrativos punitivos. Ele afirma que o então diretor se reuniu pessoalmente com representantes de um concorrente, a empresa Pronto Express (grupo JSL/Simpar), no início de dezembro de 2023, sem que a reunião constasse da agenda oficial — mesmo período em que, segundo ele, sua empresa era expurgada dos contratos.

“Não é comum diretor de administração fazer reunião com empresa licitante. Isso não existe. Quem tem que fazer isso é o superintendente de licitação.”

De acordo com documentos apresentados pelo empresário, a movimentação sugeriria que a “quebra” da GO2B não foi um acidente, mas um evento programado para abrir espaço para novos players com conexões políticas mais fortes.

Correios: blindagem ou controle externo do TCU

A operação de substituição de fornecedores e a asfixia financeira de empresas não alinhadas teria uma retaguarda burocrática que seria liderada por Osório Carvalho Dias, superintendente executivo de Licitações. Ele é descrito como o executor técnico de ordens políticas: o responsável por assinar multas e travar pagamentos no sistema, segundo a denúncia.

A denúncia também levanta dúvidas sobre o funcionamento do controle externo pelo TCU (Tribunal de Contas da União). Já que Osório é sócio da RGCS (Rede de Governança Climática e Sustentabilidade), organização presidida por Renata Andrade, esposa do ministro do TCU, Augusto Nardes.

Ministro do TCU, Augusto Nardes, e a esposa Renata AndradeFoto: Instagram @augustonardes / Reprodução ND MaisMinistro do TCU, Augusto Nardes, e a esposa Renata AndradeFoto: Instagram @augustonardes / Reprodução ND Mais

Para o empresário, a existência de vínculo entre um servidor-chave da estatal fiscalizada e pessoas ligadas a iniciativas associadas a membros da corte fiscalizadora configuraria, no mínimo, potencial conflito de interesses.

“Esse Osório é sócio da esposa de um ministro do TCU, que é o ministro Nardes. Por que será isso?”, questiona o empresário.

O empresário afirma ainda que a filha do superintendente estaria estagiando no TCU e questiona a composição da diretoria da estatal no governo petista, alegando que pessoas envolvidas em controvérsias do Postalis teriam retornado como assessores especiais.

“Veja só a diretoria do Postalis. Na época da crise do Postalis, é a mesma diretoria que volta como assessores do presidente Fabiano quando ele assume. É estranho, né?”, questiona o empresário.

Para empresário, Correios fez pedaladas no INSSPara empresário, Correios fez pedaladas no INSS. Foto: Divulgação/Agência Senado/Flickr/ND Mais

Pedaladas no INSS

Segundo o empresário, para justificar o não pagamento de cerca de R$ 387 milhões e substituir a empresa, a direção precisou construir uma narrativa de incompetência da contratada, o que a defesa chama de “lawfare administrativo”.

A defesa afirma que a estatal aplicou multas desproporcionais por falhas irrelevantes ou inexistentes. O objetivo, diz, seria criar um passivo artificial para um “encontro de contas”, zerando a dívida real.

“Os caras estavam fazendo conta. As regras para penalidades, que seriam de até R$ 5.000, foram ignoradas e aplicaram multas de até R$ 1 milhão. Com multas desse tamanho, quem tem a decisão final pelo não pagamento das faturas é Brasília, são as indicações políticas”, reclama Adriano.

Além dessas acusações, a denúncia sugere uma possível maquiagem contábil, análoga às “pedaladas fiscais”, para inflar o balanço e ocultar a situação de caixa.

Segundo os documentos apresentados, a estatal descontaria do contrato valores equivalentes a recolhimentos previdenciários, mas, por ser empresa pública e alegar imunidade tributária, não realizava os recolhimentos ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), apenas informando o valor para compensação, o que, no longo prazo, ampliaria o déficit previdenciário além de causar prejuízo ao fornecedor, aponta o empresário.

Além disso, aponta que, com manobras fiscais como lançamento de AFD (Ativos Fiscais Diferidos) créditos tributários por recolhimentos futuros , foram usados para inflar artificialmente o balanço da empresa.

O destino dos contratos

A GO2B, após a asfixia financeira descrita, demitiu mais de 7 mil funcionários e entrou em recuperação judicial. Segundo o empresário, ele e a esposa perderam o patrimônio pessoal, tiveram as contas bloqueadas e encerraram as atividades, mantendo apenas uma tentativa de receber os R$ 387 milhões que alegam ter para receber da estatal.

A atividade antes realizada pela empresa de Hamu passou a ser prestada pela Pronto Express/TPC e pelos grupos PH Recursos Humanos e UP Eventos, empresas que seriam mais alinhadas à atual gestão da estatal.

“Uma [empresa beneficiada] é ligada ao grupo TPC, que inclusive no ano seguinte recebeu aporte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) fora do padrão… e uma empresa de Curitiba que sabidamente é uma empresa que usava vários CNPJs diferentes, que é a UP Eventos.”

Apesar da gravidade das acusações, o caso ainda não teria avançado, segundo Hamu. A primeira denúncia, afirma, foi tratada inicialmente como uma “disputa cível”, o que teria ignorado indícios de corrupção sistêmica na estatal.

Os Correios, nos autos do processo, defendem que foi a contratada GO2B que falhou, mas, sobre as denúncias de um suposto “RH paralelo”, e as mensagens de diretores pedindo vagas para a esposa ou para apadrinhados políticos, a estatal respondeu à reportagem pedindo mais tempo para se pronunciar. Mesmo após o adiamento da publicação da matéria, não tivemos, até o momento, retorno da assessoria.

Assim que a ECT se manifestar, atualizaremos a matéria. O espaço segue aberto para a manifestação de qualquer um dos citados na reportagem.