Notícias

Obra em Sumaré é embargada após resgate de trabalhadores em situação análoga à escravidão

Fiscalização do MPT e do MTE encontrou alojamentos degradantes e risco iminente de morte em canteiro no Nova Veneza
  • Categoria: SUMARÉ
  • Publicação: 16/05/2026 13:13
  • Autor: Fonte: Ministério Público do Trabalho

Uma operação realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) e pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou dois trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão em um canteiro de obras localizado no bairro Nova Veneza, em Sumaré.

A fiscalização ocorreu nos dias 3 e 4 de maio e identificou uma série de irregularidades envolvendo condições degradantes de moradia, riscos graves à segurança e falhas estruturais no ambiente de trabalho.

Segundo os órgãos responsáveis, os trabalhadores estavam alojados em condições incompatíveis com padrões mínimos de dignidade e segurança. Após o resgate, as vítimas receberam acesso ao seguro-desemprego especial destinado a trabalhadores resgatados de situações de trabalho escravo contemporâneo.


Risco de morte levou ao embargo parcial da obra

Durante a operação, auditores fiscais constataram situação de grave e iminente risco de morte para os operários que atuavam no empreendimento.

Diante das irregularidades encontradas, parte das torres em construção foi parcialmente embargada.

Entre os problemas identificados pela fiscalização estavam:

Ausência de proteção coletiva contra quedas em altura

  • Falhas em elevadores de cremalheira
  • Falta de sinalização adequada
  • Áreas sem isolamento contra queda de materiais
  • Plataformas sem comprovação de integridade estrutural
  • Ausência de projeto técnico assinado por profissional habilitado

No momento da inspeção, 84 trabalhadores atuavam na obra e estavam expostos aos riscos apontados pelos fiscais.


TAC prevê indenizações e adequações imediatas

O MPT firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a empreiteira responsável pelo empreendimento.

O acordo determina:

  • Regularização imediata das condições de alojamento
  • Pagamento das verbas salariais e rescisórias
  • Indenização de R$ 3 mil para cada trabalhador resgatado
  • Pagamento de R$ 8 mil por dano moral coletivo

O valor da indenização coletiva será destinado a entidades de interesse social indicadas pelo Ministério Público do Trabalho.


Entre as exigências estabelecidas no TAC estão:

  • Camas individuais com enxoval completo
  • Armários com tranca
  • Água potável
  • Espaço adequado para refeições
  • Área de lavanderia

Em caso de descumprimento, as multas podem chegar a R$ 2 mil por infração e por trabalhador atingido.


Fiscalização permanente

O procurador do Trabalho Gustavo Rizzo Ricardo afirmou que o caso evidencia a necessidade de fiscalização contínua na cadeia de subcontratação da construção civil.

“A dignidade da pessoa humana e o valor social do trabalho não podem ser sacrificados em nome do cumprimento de cronogramas de obras”, destacou o procurador.

As investigações apontaram ainda que o grupo econômico responsável pelo empreendimento já havia firmado um TAC em 2015 relacionado a questões trabalhistas e de segurança.

Segundo o MPT, eventual descumprimento das cláusulas poderá gerar multa superior a R$ 800 mil, calculada conforme o número de trabalhadores expostos e as infrações verificadas.

O grupo econômico foi notificado e terá prazo de 15 dias para comprovar a regularização das condições de segurança no empreendimento.

O Ministério Público do Trabalho informou que seguirá monitorando o cumprimento integral das medidas estabelecidas.



Fonte: