Notícias

CPI do Banco Master une PT e PL e pode atingir aliados dos dois lados

Defendida por petistas e bolsonaristas após divulgação de áudios envolvendo Flávio e Daniel Vorcaro, apuração amplia disputa política e pode gerar desgaste para diferentes grupos
  • Categoria: POLÍTICA
  • Publicação: 18/05/2026 10:22

A defesa pela instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master aproximou, ao menos no discurso, grupos historicamente rivais no Congresso Nacional.

Enquanto parlamentares do PT pressionam pela abertura da investigação após a divulgação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o próprio senador bolsonarista e pré-candidato ao Planalto também passou a defender uma apuração ampla do caso.

A convergência entre PT e PL ocorre em meio ao aumento da pressão política após a divulgação, pelo The Intercept Brasil, de um áudio em que Flávio Bolsonaro troca mensagens com Vorcaro  sobre repasses milionários para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, o longa Dark Horse.

O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), classificou o caso como “extremamente grave” e defendeu a instalação imediata da comissão para investigar possíveis irregularidades relacionadas ao Banco Master.

Segundo Uczai, a denúncia envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro exige resposta institucional do Congresso diante da gravidade das informações reveladas.

Uczai chegou a citar um “acordão” recente no Congresso para desviar as atenções do caso, ao mesmo tempo em que os parlamentares atuaram para derrubar o voto de Lula ao PL da Dosimetria e rejeitaram a indicação de Jorge Messias para o STF.

Ao mesmo tempo, Flávio Bolsonaro reagiu às acusações afirmando que sua ligação com o controlador do Banco Master se limitou à busca de investimento privado para uma produção audiovisual sem uso de recursos públicos.

“É preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política”, afirmou o senador em nota.

Segundo Flávio Bolsonaro, o contato com Daniel Vorcaro ocorreu em 2024, antes das acusações envolvendo o banqueiro se tornarem públicas. O senador negou favorecimento político, vantagens indevidas ou qualquer relação institucional relacionada ao investimento no filme que conta a trajetória do ex-presidente Bolsonaro.

“Minha participação no projeto do filme sobre o presidente Jair Bolsonaro limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato”, afirmou Flávio Bolsonaro.

O senador também declarou que o investimento realizado previa retorno financeiro vinculado ao desempenho comercial da produção e negou que recursos tenham sido destinados ao irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos.

“Por isso, defendo que todos os fatos sejam investigados com rigor e transparência. Por isso, exigimos a CPI do Master já”, declarou.

CPI do Banco Master pode ampliar desgaste político além do foco inicial

A criação de uma CPI do Banco Master já era pauta no Congresso Nacional há meses, sem avanços tanto na Câmara quanto no Senado. Um pedido do deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) para apurar o que ele chamou de “maior escândalo financeiro do país” perdeu força após Hugo Motta declarar que havia uma fila de pedidos de investigação.

Além disso, o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou pedido apresentado pelo parlamentar para determinar a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB).

Na decisão, o relator concluiu que não há no processo elementos suficientes para comprovar omissão ilegal da presidência da Câmara dos Deputados e afirmou que a questão deve ser analisada no âmbito do próprio Poder Legislativo.

Enquanto isso, no Senado a CPMI depende da vontade do presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União-AP), de ler o pedido em plenário para que a investigação siga adiante.

Mas com os diálogos vazados recentemente, o cenário mudou, e a pressão pela CPI do Banco Master voltou com força total no Congresso, com dois novos pedidos de comissões mistas de inquérito, ainda em fase de coleta de assinaturas.

Um deles é liderado pela oposição, sob a coordenação do senador Carlos Viana (PSD-MG), e outro é de iniciativa da base governista, liderado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo na Câmara.

Lindbergh Farias também apresentou no STF (Supremo Tribunal Federal) um mandado de segurança para obrigar a abertura de uma CPMI do Banco Master, formada por deputados e senadores.

Mesmo com as novas cobranças, há quem avalie, nos bastidores, que as chances de uma investigação ainda são baixas. Integrantes da base aliada apostam na CPI como uma nova frente de ofensiva contra Flávio Bolsonaro. Já a oposição busca virar o jogo, com um discurso de que todas as relações envolvendo o Master precisam ser investigadas pelo Congresso.

Cresce pressão no Congresso por CPI do Banco Master. Além dos pedidos antigos, deputados colhem assinaturas para novas comissõesoposição protocola CPMI do MasterFoto: Apolos Neto / AI deputado Zucco

Além das duas novas frentes de investigação, e dos pedidos de Rollemberg de CPI do Banco Master e do deputado Carlos Jordy para uma CPMI, há outros pedidos de investigação em curso, para investigar as relações do banco com ministros do STF, em comissões mistas e em uma CPI própria do Senado.

Já na Suprema Corte, outro mandado de segurança, patrocinado pela oposição, pede a instalação obrigatória da comissão de inquérito. O pedido tramita sob a relatoria do ministro Nunes Marques, mas não teve andamento. Senadores têm cobrado que o ministro se declare suspeito e, assim, o pedido seja enviado para a análise de outro integrante do Supremo.

Caso as investigações avancem, parlamentares ou agentes públicos que mantiveram relações institucionais ou econômicas com o banco podem ser chamados a prestar esclarecimentos. A investigação também pode gerar desgaste para diferentes grupos políticos caso surjam elementos envolvendo integrantes da oposição ou nomes próximos ao governo federal.