A cidade de Sumaré foi escolhida para receber um dos maiores investimentos em infraestrutura tecnológica da história recente do interior paulista. A empresa Ascenty anunciou um aporte de US$ 1,2 bilhão — cerca de R$ 6 bilhões — para a construção de quatro novos data centers voltados à inteligência artificial no Estado de São Paulo, incluindo o novo complexo “Sumaré 3”, que será instalado no município.
O anúncio foi realizado nesta quarta-feira (27) e integra o plano de expansão da companhia para atender à crescente demanda global por processamento de dados, computação em nuvem e operações de inteligência artificial em larga escala.
Segundo a empresa, os novos complexos já estão totalmente pré-locados por gigantes globais da tecnologia interessadas em ampliar operações de IA e nuvem na América Latina. O nome das empresas contratantes não foi divulgado.
O destaque do projeto é justamente o novo data center de Sumaré, apontado pela companhia como o primeiro grande centro de dados da região concebido desde o início exclusivamente para suportar cargas de trabalho de inteligência artificial.
“O mercado passou por uma mudança estrutural com a inteligência artificial, e a Ascenty está na linha de frente dessa nova onda. Estamos construindo a infraestrutura que vai impulsionar a próxima geração de IA no mundo”, afirmou Christopher Torto.
Estrutura inédita para IA
O complexo “Sumaré 3” será construído em uma área de 48 mil metros quadrados e contará inicialmente com 90 megawatts (MW) de capacidade energética, sendo 60 MW destinados exclusivamente à operação de tecnologia da informação.
A empresa já possui energia e terrenos assegurados para futuras expansões, podendo ampliar a estrutura em mais 90 MW futuramente.
O projeto representa uma mudança significativa em relação aos data centers tradicionais. Enquanto estruturas convencionais trabalham com racks operando em média com 8 quilowatts (kW), os equipamentos preparados para IA poderão operar entre 60 kW e até 1 megawatt por rack, exigindo infraestrutura energética e térmica muito mais robusta.
Para suportar essa demanda, o Sumaré 3 utilizará tecnologia de resfriamento líquido direto nos chips (liquid cooling), sistema considerado mais eficiente e sustentável para dissipar o calor gerado pelas operações de inteligência artificial.
Segundo a companhia, o sistema operará em circuito fechado, reduzindo drasticamente — ou até eliminando — o consumo contínuo de água na operação.
A empresa também afirma que toda a operação utilizará energia proveniente de fontes renováveis.
Obras começaram e previsão é 2027
As obras do empreendimento tiveram início em março deste ano e a previsão de conclusão é para o terceiro trimestre de 2027.
Durante o pico da construção, a expectativa é de geração de aproximadamente 600 empregos diretos. Após a entrada em operação, o complexo deverá manter cerca de 120 postos permanentes de trabalho especializados.
Região de Campinas vira corredor digital
Além de Sumaré, a Ascenty também anunciou a expansão de estruturas em Vinhedo, onde já opera dois data centers e pretende ampliar o campus Vinhedo 2 e construir o novo Vinhedo 3, ambos voltados à inteligência artificial.
Somados, os quatro novos projetos terão capacidade inicial de 150 MW — volume equivalente a aproximadamente 40% de toda a capacidade construída pela empresa em seus 15 anos de operação.
Segundo a companhia, a região de Campinas foi escolhida estrategicamente devido à disponibilidade energética, forte infraestrutura de fibra óptica e proximidade com o principal mercado corporativo do país, a capital paulista.
A empresa define o eixo Campinas-Sumaré-Vinhedo como um novo “corredor digital” de alta capacidade tecnológica no Brasil.
“O Brasil se consolida como um dos principais polos globais para desenvolvimento e operação de data centers, sendo o mercado mais maduro da América Latina. Esta expansão reforça a importância estratégica do país para o nosso negócio”, destacou Christopher Torto.
Impacto econômico e tecnológico
A chegada do empreendimento coloca Sumaré em posição estratégica dentro do cenário nacional da tecnologia e da inteligência artificial, fortalecendo o potencial da cidade para atração de novos investimentos ligados à economia digital.
Especialistas do setor apontam que a expansão de data centers voltados à IA deve impulsionar áreas como conectividade, computação em nuvem, segurança digital, inovação industrial e desenvolvimento de soluções tecnológicas avançadas.
Além da movimentação econômica direta, o projeto também deve ampliar a demanda por mão de obra qualificada, serviços técnicos especializados e infraestrutura urbana na Região Metropolitana de Campinas.

