PCC e CV terroristas: governistas alertam para ameaça ao Brasil, e oposição celebra medida
O Departamento de Estado comunicou nesta quinta-feira (28) a inclusão das facções brasileiras na lista de Terroristas Globais Especialmente Designados
- Categoria: GERAL
- Publicação: 29/05/2026 10:04
O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou nesta quinta-feira (28) o enquadramento do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs, na sigla em inglês). Após o comunicado, a oposição celebrou a medida, enquanto os governistas fizeram alerta sobre as consequências ao Brasil com a classificação das facções brasileiras.
Em nota, o assessor especial da Presidência da República, Celso Amorim, disse que o “crime organizado é um mal que tem de ser combatido” e a “cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas”. Entretanto, o diplomata afirmou que tratar a questão como “pretexto para intervenção é inaceitável”.
O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados, Pedro Uzcai (PT-SC), disse que a medida dos Estados Unidos foi resultado da “articulação da extrema-direita” sob a condução do senador e pré-candidato ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. O congressista afirmou que os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro tentaram buscar junto ao governo dos Estados Unidos “aquilo que perderam no Congresso Nacional”.
“A família Bolsonaro presta mais um desserviço ao Brasil. Depois de reivindicar sanções, tarifas e pressões estrangeiras contra a economia brasileira, de oferecer as nossas riquezas, como os minerais críticos, Flávio e Eduardo avançam agora sobre a segurança pública nacional, usando o crime organizado como pretexto para entregar o país ao comando de Trump”, declarou Uczai.
O deputado federal alertou que a classificação das facções brasileiras “pode produzir consequências financeiras desastrosas e ampliar os prejuízos à economia brasileira”. “Se instituições financeiras, bancos, empresas ou intermediários forem acusados de lavar dinheiro, movimentar valores ou facilitar pagamentos ligados a facções, o sistema financeiro brasileiro pode ser contaminado por fuga de investimentos, sanções, bloqueio de ativos, perda de correspondentes bancários, travamento de operações internacionais e restrição de crédito”, explicou Uczai.
Na avaliação do líder do PT na Câmara, a medida “ameaça milhões de pessoas que vivem ou trabalham em territórios dominados pelo crime organizado”, “pode prejudicar a cooperação penal internacional” e “abrir espaço para pretensões de atuação extraterritorial, medidas coercitivas e até ação armada contra o Brasil”. “O PCC, o Comando Vermelho e todas as organizações criminosas devem ser combatidos com firmeza”, disse ao citar o Projeto de Lei nº 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
Por meio de publicação no X (ex-Twitter), o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que a classificação resultará em “consequências negativas para o Brasil”. O parlamentar também disse que a medida é um “ataque brutal” à soberania brasileira.
Farias contou que as facções “estão sendo combatidas pelo governo” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O deputado disse que operações da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal “estão asfixiando financeiramente” o crime organizado.
“Eduardo e Flávio são irresponsáveis e não querem combater o crime organizado. Eles querem nos vulnerabilizar e abrir espaço para intervenção militar dos EUA no Brasil, querem fazer do Brasil colônia”, escreveu.
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara, Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), disse, em publicação no X, que esta quinta-feira foi “um grande dia para quem acredita em lei, ordem e justiça” e “péssimo” para “quem relativiza o crime”. “O povo brasileiro não quer criminoso tratado com proteção política, quer facção combatida, criminoso preso e o Estado enfrentando o crime de verdade”, escreveu.
O deputado ainda afirmou que Lula “fracassou” em “tentar convencer os Estados Unidos de que o PCC e Comando Vermelho não deveriam ser tratados como organizações terroristas”. “Trump ignorou os apelos do governo brasileiro e chamou as coisas pelo nome. Quem domina territórios, espalha medo, recruta jovens para o crime e desafia o Estado não age como vítima da sociedade”, declarou.
O ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo e pré-candidato ao Senado, o deputado federal Guilherme Derrite (PP-SP), disse que a classificação das facções brasileiras demonstra a dimensão global do problema enfrentado pelo Brasil. “Enquanto o governo Lula insiste em tratar a segurança pública como tema secundário, o mundo reconhece a gravidade da ameaça representada pelo PCC e pelo Comando Vermelho. E para isso, foi necessária a articulação de um pré-candidato à presidência, já que Lula não trouxe nenhum avanço da agenda na Casa Branca”, afirmou.
O ex-secretário ainda declarou que a decisão dos Estados Unidos reforça a necessidade de um enfrentamento mais rígido às organizações criminosas. “O Brasil precisa parar de passar pano para criminosos e começar a enfrentá-los com a seriedade que a população exige. A verdadeira soberania da nossa nação passa por devolver a liberdade aos mais de 40 milhões de brasileiros que estão vivendo sob o domínio do crime”, completou.
Em publicações no X, Flávio primeiro disse ser “grande dia”. Na sequência, em vídeo, o senador falou sobre sua viagem aos Estados Unidos e o encontro com o presidente norte-americano, Donald Trump, na terça-feira (26), no qual pediu a classificação das facções.
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