'Amanhã vence os boletos': Enteado de Wagner cobrou dinheiro a Lima, diz PF.
- Categoria: POLÍTICA
- Publicação: 18/06/2026 11:59
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram Eduardo Mendonça Sodré Martins, enteado do senador Jaques Wagner (PT-BA), cobrando pagamentos ao empresário Augusto Lima, ex-sócio do extinto Banco Master.
O que aconteceu
Martins é investigado na nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada hoje pela Polícia Federal. Atual secretário de Meio Ambiente do governo baiano, ele é alvo de mandados de busca e apreensão, assim como Wagner e Augusto Lima, por suspeita de envolvimento nas fraudes do extinto banco Master.
PF investiga se Wagner recebeu "vantagens econômicas indevidas" de Vorcaro e Lima para defender interesses do extinto banco no Congresso. Segundo os investigadores, os valores teriam sido recebidos pelo senador direta ou indiretamente, "por intermédio de familiares, pessoas de confiança e estruturas societárias vinculadas ao grupo econômico investigado"
Eduardo exerceu "papel ativo" nas cobranças a Lima, diz a PF. As informações constam da decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou a operação de hoje, cujo sigilo foi retirado.
"Amanhã vence os boletos e são altos", disse Eduardo em mensagem enviada em setembro de 2025 a Lima. O empresário respondeu que o cenário estava "crítico" e justificou que a dificuldade financeira seria por causa do fracasso da operação de venda do Master para o BRB (Banco de Brasília). Na conversa, obtida pela PF, Lima chega a sugerir que Eduardo cancele uma nota fiscal para emiti-la novamente em outro momento.
Um mês após a cobrança, empresa ligada à família de Wagner recebeu transferência de R$ 3,5 milhões. O pagamento foi feito pela PKL One Participações S.A, firma vinculada a Lima, para BN Financeira LTDA., que tem como uma das proprietárias Bonnie Bonilha, esposa de Eduardo e nora do senador.
UOL procurou Eduardo Martins, via Secretaria do Meio Ambiente da Bahia. Se houver resposta, o texto será atualizado.
PF apura repasses para a BN Financeira foram "vantagem indevida". A suspeita é de que a empresa foi usada para ocultar a real origem do dinheiro, que seria supostamente destinado a pagar Wagner e seu entorno por uma atuação do senador em favor do Master. "A Polícia Federal sustenta que a empresa teria sido utilizada para conferir aparência de licitude a repasses financeiros supostamente desvinculados de prestação real de serviços, funcionando como veículo formal de recepção e dissimulação de vantagens indevidas", diz a decisão de Mendonça. O ministro determinou a suspensão das atividades econômicas e financeiras da BN.
PF também identificou planilhas com pagamentos a Eduardo em em valores superiores a R$ 2,3 milhões. O documento foi encontrado no celular do advogado Daniel Monteiro, apontado como operador financeiro de Vorcaro, e menciona repasses a "Dudu", apelido que, segundo a investigação, corresponderia ao enteado de Wagner.
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