Toffoli e Moraes atuam nos bastidores para barrar CPMI do Banco Master no Senado
- Categoria: POLÍTICA
- Publicação: 07/02/2026 11:28
- Autor: Fonte: https://www.contrafatos.com.br/
Contratos com familiares e temor de desgaste do STF impulsionam pressão sobre Alcolumbre
Ministros do Supremo Tribunal Federal passaram a agir diretamente para tentar impedir a instalação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Banco Master. De acordo com relatos colhidos pelo jornal O Globo junto a interlocutores do Congresso, a ofensiva tem como principal alvo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Nos bastidores, os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli estariam preocupados com os efeitos políticos e institucionais de uma investigação parlamentar envolvendo o Banco Master, atualmente em processo de liquidação.
Relações pessoais e contratos entram no centro do debate
Parlamentares da oposição afirmam que a CPMI é necessária para esclarecer contratos milionários firmados entre o banco e familiares de ministros do STF, além de possíveis interferências no Banco Central e no sistema de supervisão financeira.
Três fontes próximas ao Senado confirmaram ao jornal que Toffoli e Moraes avaliam que a comissão pode agravar o desgaste da imagem do STF, especialmente diante do avanço das revelações sobre vínculos privados com o controlador do banco, Daniel Vorcaro.
Pedido de CPMI já reúne assinaturas suficientes
Na terça-feira (3), parlamentares formalizaram o pedido de criação da CPMI. O requerimento soma 281 assinaturas, sendo 42 senadores e 239 deputados, número superior ao mínimo constitucional exigido. O Partido Liberal lidera a mobilização, com 89 parlamentares apoiando a iniciativa.
Contrato de Viviane Barci é alvo prioritário da oposição
Entre os principais focos da comissão está a atuação de Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes. Documentos em posse do Congresso indicam que o contrato do escritório da advogada com o Banco Master previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões, por três anos, totalizando cerca de R$ 130 milhões.
O acordo previa suposta atuação junto a órgãos como Receita Federal, Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e o próprio Banco Central. Entretanto, segundo parlamentares, nenhuma dessas instituições confirmou a prestação efetiva dos serviços descritos no contrato.
Apesar disso, durante depoimento de Vorcaro ao STF, o empresário não foi questionado sobre o vínculo com Viviane Barci. A avaliação nos bastidores é que, em uma CPMI, familiares de ministros poderiam ser convocados a depor, ampliando o alcance das investigações.
Caso Tayayá Resort amplia pressão sobre Toffoli
Além de Moraes, a oposição pretende avançar sobre as relações envolvendo Dias Toffoli e o Tayayá Resort, empreendimento localizado no Paraná que abriga uma residência de luxo utilizada pelo ministro. O jornal O Estado de S. Paulo revelou que Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, controla fundos que adquiriram parte da participação dos irmãos de Toffoli no resort.
O episódio tem impacto direto no STF porque Toffoli é o relator do processo relacionado ao Banco Master. Desde o início, ele adotou decisões consideradas controversas, como impor sigilo às investigações, determinar acareações antes dos depoimentos formais e requisitar o envio de material da Operação Compliance Zero diretamente ao seu gabinete.
Carlos Jordy defende afastamento de Toffoli
Autor do requerimento da CPMI, o deputado federal Carlos Jordy sustenta que a comissão tem base legal para investigar assessores e familiares de ministros do Supremo. Para ele, a apuração é inevitável.
“Não dá para varrer a sujeira para debaixo do tapete”, afirmou o parlamentar, que também defende o afastamento de Toffoli da relatoria do caso no STF.
No requerimento, Jordy propõe investigar ainda “omissões regulatórias, pressões institucionais ou tentativas de interferência indevida” no Banco Central. Entre os episódios citados, ele menciona encontros de Alexandre de Moraes com o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, em pelo menos quatro ocasiões, com o objetivo de interceder em favor do Banco Master.
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